SEGUNDA-FEIRA, 24 DE SET DE 2018
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NOTICIÁRIO - MEIO AMBIENTE
29 DE MARÇO DE 2018
Vizinhos do Aterro

Fim das nascentes e muito mau cheiro. Essas são as principais reclamações de moradores dos bairros Sobradinho e Nossa Senhora de Fátima.

SOBRADINHO

Os moradores do bairro Sobradinho que antes viam a água brotar de algumas nascentes, contam que desde que a empresa foi ampliada, a água farta que abastecia o bairro nunca mais apareceu.

O comerciante Luiz Carlos que tem um bar na entrada do bairro há 18 anos diz que desde a ampliação do aterro a água parou de chegar. Segundo ele, a água servia a todos do bairro, havia uma interceptação que possibilitava a distribuição para a população, mas com a ampliação do aterro, há cerca de cinco anos, as nascentes foram destruídas e a região ficou sem abastecimento natural.

O pedreiro Alzeli José de Almeida, morador do Sobradinho há 18 anos, conta que agora só aparece água nos lugares, onde, antes era captada, quando chove, mas mesmo assim a água chega barrenta, antigamente vinha limpa. “Antes tinha um poço lá no alto. A gente adaptava uma mangueira e vinha água para todo mundo, mas depois que trouxeram o ‘lixão’, acabou”, destaca.

Há cerca de um ano a água mineral Santa Elizabeth existente no local,está de portas fechadas. Atualmente, um caminhão pipa da Copasa fornece água para região. O veículo vai ao local de segunda a sexta de cinco a seis vezes por dia, são distribuídos cerca de 60 mil litros de água por dia no bairro, sendo que um caminhão é exclusivo para abastecer o novo prédio do IFMG instalado no Sobradinho.

Vale ressaltar que os moradores não pagam pela água da Copasa. Então, quem paga esta conta?

Água para

asfalto?

No dia em que visitamos o bairro, além de encontrarmos com o carro da Copasa por duas vezes, nos deparamos com um caminhão, que segundo o motorista, estava a serviço da Prefeitura, e estava retirando água de um córrego que passa pelo bairro. De acordo com o caminhoneiro, a água, não potável, seria usada para lavar o asfalto. Mas lavar asfalto em período de chuva?

Fátima

“Que cheiro

foi esse?”

Já no bairro Nossa Senhora de Fátima que está ainda mais próximo ao aterro, a maior reclamação é o mau cheiro. Segundo os moradores, o odor chega a ser insuportável em dias mais quentes e permanece quase que 24 horas por dia.

O aposentado Gedaias Ferreira de Souza, morador do bairro há quase 40 anos, acredita que o tratamento do lixo não está sendo feito de forma adequada, por isso o mau cheiro aumentou muito nos últimos cinco anos.

Gedaias diz também que o aterro acabou com as nascentes que tinham na região. “Lembro de uma nascente muito linda que tinha aqui perto, mas eles acabaram com ela, porque colocaram uma manta para impermeabilizar, então a água ficou por baixo e o chorume passa por cima que a princípio diziam que seria tratado, mas agora parece que isto não está sendo feito”, diz.

O aposentado ressalta ainda o grande número de caminhões que passa pela estrada levando lixo, segundo ele, em horários de pico, sobe cerca de 50 caminhões por hora vindos de diversos municípios, deixando um rastro de fedor por onde passam.

Para o bombeiro hidráulico Valdecir Batista, o aterro sanitário só desvalorizou o bairro. “Na época eles falaram que iam melhorar as ruas, construírem praças, parque Ecológico, o bairro seria ótimo, mas nada disso aconteceu,nem uma academia ao Ar Livre eles colocaram. Moro aqui há 17 anos, e arrependo de ter construído minha casa aqui, porque ela só desvalorizou, se não fosse o aterro valeria pelo menos 50 por cento a mais”, diz. O bombeiro questiona também sobre o imposto que é arrecadado com o aterro sanitário. “Eu sei que o município ganha muito com o aterro, mas onde é investido esse dinheiro, sendo que nós, os maiores prejudicados, não temos nem rede de esgoto?”, pergunta.

O pastor João Bueno, morador do Fátima há 27 anos, também reclama dos transtornos que o aterro está causando aos moradores nos últimos anos. Ele reconhece a importância dos serviços de um aterro sanitário, mas afirma que o Macaubas está operando de forma inadequada por estar provocando esse mau cheiro. “A forma como está operando, já esta abusando de nossa paciência. Nós até esperávamos que haveria um mau cheiro, mas como está é insuportável”, ressalta

O pastor cobra mais fiscalização dos órgãos competentes. Ele diz que há pouco tempo esteve na empresa com outros moradores e foi muito bem atendido por um dos engenheiros que lhe garantiu que o problema seria solucionado, mas até agora nada foi feito. O pastor conta também que procurou o prefeito Wander Borges. Segundo ele, o prefeito se prontificou em marcar uma reunião entre a empresa, o Executivo e representantes da comunidade, mas também até o momento nada foi agendado. “Acredito que temos que resolver essa questão juntos, temos que ponderar, seguir o caminho do diálogo, entrar em um acordo e eliminarmos o problema”, concluiu.

“Não podemos convidar ninguém para um almoço”

Todos nossos entrevistados do Fátima, ressaltam que devido ao mau cheiro têm vergonha de convidar amigos e parentes para um almoço ou jantar em suas casas.

Valdecir diz que não tem coragem de levar ninguém em sua casa. “Há pouco tempo meu chefe veio jantar na minha casa, nunca passei tanta vergonha. Tive que fechar a janela para o mau cheiro amenizar”, conta.

Gedaias afirma que também já passou por essa situação. “Nós não podemos convidar nehuma pessoa para jantar ou almoçar em nossas casas, porque com essa ‘catinga’ fica impossível”, ressalta.

O pastor também concorda, dizendo que se sente envergonhado quando tem algum convidado em sua casa.

Além disso, Gedaias diz que o mau cheiro tem prejudicado até pequenos restaurantes do bairro.

Vital

Engenharia

Ambiental

Entramos em contato com a Vital Engenharia Ambiental, responsável pelo aterro sanitário, mas até o fechamento dessa edição eles não haviam nos respondido.

Mas de acordo com a Secretaria de Estado de Meio Ambiente, todas as cinco licenças do empreendimento estão vigentes.

Em relação às infrações a Secretaria informa que foram verificados dois processos de Auto de Infração, sendo eles:

•00543/2001/008/2013, infração: descumprir condicionantes aprovadas nas licenças prévia e de instalação, relativas a essas fases, ou cumpri-las fora do prazo fixado, se não constatada a existência de poluição ou degradação ambiental; Defesa foi indeferida, multa foi paga.

•00543/2001/010/2014, infração: Operar atividade efetiva ou potencialmente poluidora ou degradadora do meio ambiente (aterro de resíduos de construção civil) sem a licença de operação pertinente, não amparado por termo de ajustamento de conduta, se não constatada a existência de degradação ambiental". Foi apresentada defesa pelo autuado, que encontra-se em análise.

Além disso, foi lavrado pela PMMG (AI 1231/2017), mas ainda não foi gerado um processo administrativo. Infração; causar degradação ambiental de qualquer natureza, que resulte ou possa resultar em danos aos recursos hídricos, às espécies vegetais e animais, aos ecossistemas e habitats ou que prejudique a saúde, segurança e bem estar da população. A autuação se deu por denúncias de assoreamento do curso d'água a jusante do empreendimento por carreamento de solo da área de implantação das obras de ampliação do aterro sanitário.

A Secretaria de Meio Ambiente informa também que dentro do processo de licenciamento, e como condicionante, a empresa envia ao órgão ambiental, periodicamente, relatórios sobre a atividade desenvolvida. Segundo informado nos autos do processo de licença de operação da atividade "Tratamento ou disposição final de resíduos sólidos urbanos", o aterro sanitário conta com sistema de impermeabilização da base, sistema de coleta e tratamento do chorume gerado pela decomposição dos resíduos. Se este sistema de controle estiver operando adequadamente não há disposição de chorume no solo ou corpos hídricos.

A Semas diz que a última fiscalização realizada pelo órgão na empresa foi em 22 de julho de 2017, na área de implantação da ampliação do aterro sanitário. Também ocorreu fiscalização pela Polícia Militar de Meio Ambiente em 17 de abril de 2017 e em 01 de novembro de 2016, não havendo irregularidades.

Mas que caso seja constatada a contaminação de solo e/ou água por chorume o empreendimento deve ser autuado e ter as atividades suspensas até a devida adequação. Além disso, o empreendimento deve propor medidas para cessar e reparar o dano.

Para finalizar, a Secretaria informa que havendo irregularidades as denúncias podem ser feitas através desses canais:

Site: preenchendo o formulário online.

http://www.meioambiente.mg.gov.br/formulario-de-denuncia

Telefone: 155 (LigMinas), de segunda a sexta, das 7h às 19h;

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