TERÇA-FEIRA, 25 DE SET DE 2018
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NOTICIÁRIO - CULTURA
26 DE DEZEMBRO DE 2017
Paixões de uma vida em livros

Professora Lourdes Guerra conta sobre suas experiências em obras literárias

Perto dos 90 anos, Dona Lourdes Guerra apresenta uma lucidez incrível e ainda tem projetos para lançar livros inéditos. Responsável pela educação de muitas gerações de sabarenses essa simpática professora que lecionou por mais de 30 anos é a personagem desta edição da série “Cantinho do Escritor Sabarense”.

A escritora tem dois livros publicados, o primeiro foi lançado em 1997, “Nas ruas de Sabará”, que é uma verdadeira aula de história sobre nossa cidade, como diz em sua apresentação, escrita pelo professor Alberto Libânio Rodrigues, já falecido, “A autora foi extremamente feliz na maneira ‘sui generis’ que escolheu para contar a história de sua terra e a vida de sua gente, tendo como pano de fundo as ruas de Sabará. (...) Usando um estilo simples e objetivo,sem qualquer rebuscamento literário, a historiadora conseguiu transformar a história de Sabará em deliciosos e palpitantes ‘causos’”.

O livro partiu de uma curiosidade imensa de Dona Lourdes sobre as histórias de nossas terras, ela conta que por muitas vezes não encontrava respostas, isso exigia muitas pesquisas, então percebeu que a cidade precisava de um documento de fácil acesso para que todos pudessem encontrar essas respostas. Além disso, a sabarense escreve o livro como um sinal de amor por sua terra, visando que Sabará e sua gente possam ser sempre lembradas.

Mas não foi nada fácil, a escritora dedicou sete anos de sua vida a exaustivas pesquisas, foram incontáveis dias na Biblioteca Pública Estadual Luiz de Bessa, em Belo Horizonte e outros tantos estudando documentos aqui em Sabará para contar essa história. Além disso, ela conta que a publicação foi feita com grande dificuldade. “Foi com grande peleja, fazendo orçamento em editoras especializadas em trabalhos de histórias, mas alegrei-me quando vi que possuía a quantia exata para cobrir todas as despesas”.

Ela lembra que no dia de buscar os livros soube que teve um acréscimo no valor. Então procurou auxílio do Poder Público Municipal, alguns exemplares ficariam para o Executivo presentear visitantes, como uma lembrança, mas o auxilio foi negado. Os livros então foram comprados por Mário Guerra, irmão da escritora e reitor da Faculdade de Sabará, em nome da instituição. O sucesso da obra foi grande e em 2014 saiu a segunda edição, mais uma vez produzida pela Faculdade de Sabará.

O segundo livro publicado foi “Histórias das Nações Mundiais”, este não passou por editora. Ele foi digitado em formato de livros e encadernado. “Costumo oferecê-lo às pessoas que visitam uma exposição de bonequinhas de trajes típicos das nações mundiais organizada por mim, em minha residência”, diz. Ela conta que sempre foi uma apaixonada por viagens, por isso conhece todas as capitais do país, viagens que fez em companhia de seu marido, o poeta e estatístico, Benedito Machado Homem, onde adquiriu várias peças que hoje fazem parte de sua exposição. As peças estrangeiras foram lembranças trazidas por seu irmão e por outros amigos.

O livro nasceu da necessidade de explicar o significado de cada traje típico e contar um pouco da história daquele país ou daquela região. “O que adianta ver o traje típico e não saber o que significa e nada sobre o país. Então fiz a pesquisa e escrevi o livro, que para mim foi um prazer”, diz.

Entre os livros que já foram escritos, mas não publicados a escritora traz histórias das viagens feitas com seu marido como na obra, “ Nossa viagem pelo Rio São Francisco”, quando partiram de Pirapora e seguiram até Pernambuco, foram cinco dias e cinco noites de viagem, em uma barco movido a óleo diesel. E ainda o livro “Nossas viagens pelas Capitais Brasileira e Cidades Históricas”, onde ela conta o que aprendeu durante os passeios. “As viagens culturais feitas por mim e Benedito sempre foram muito proveitosas, no sentido de aumentar cada vez mais o conhecimento sobre o nosso país”, diz. O casal visitou todas as capitais brasileiras.

Os anos em sala de aula também foram transformados em livro, ainda não publicado, ela escreveu “ Lembranças de meus alunos” , experiência com alunos de todas as idades, já que foi professora substituta e por muito tempo lecionou Educação Física, além de dar aulas para adultos e posteriormente para educação infantil, quando abriu seu jardim de infância Regina Caeli. Aqui, ela conta sobre tudo que observava em seus alunos, as curiosidades das crianças. “Coisa mais linda e encantadora eram aquelas crianças. Elas para mim aparecem como expressão de inocência e docilidade”. Ela destaca que é importante fazer com que as crianças não deixem de ser crianças. “Devemos respeitá-las e dizermos sempre a verdade, mas de maneira que não tire a inocência da criança. ”, ressalta.

A maternidade também foi escrita no “A infância de Ana Maria, do nascimento aos 15 anos”, onde descreve como em um diário este período da vida de sua filha, detalhando as descobertas e travessuras que a menina fazia na infância. “ Fiz para que Ana Maria pudesse conhecer o seu passado com os acontecimentos relacionadas à sua vida de criança”.

Olhando para as obras dessa senhora, tendo sido publicada ou não, conhecemos um pouco sobre sua vida e descobrimos suas maiores paixões; a filha, a profissão e seus alunos, suas viagens, Sabará e claro, a literatura. A dedicação á literatura é tamanha que Dona Lourdes possui uma bela biblioteca no porão de sua casa que possui livros raros, de vários idiomas e assuntos diversos e ainda muitas curiosidades, como objetos trazidos de vários localidades. Há ainda uma biblioteca infantil, com brinquedos e um quadro negro que pertenceu à Mestra Ritinha, uma exemplar professora sabarense do final do século XIX e início do século XX. Além disso, entre as duas bibliotecas encontramos a bandeira de Sabará e um mapa de Minas Gerais datado de 1711, mostrando a imensidão do município de Sabará naquela época, chegando inclusive a Pernambuco. O mapa é um estudo feito por seu marido Benedito Machado Homem.

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