TERÇA-FEIRA, 17 DE JUL DE 2018
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NOTICIÁRIO - SOCIAIS
29 DE AGOSTO DE 2017
A incansável luta pela vida

Assim foram os 29 anos que Christiano Campos Ferreira esteve por aqui, desde o dia de seu nascimento até a sua partida foi uma luta diária pela vida do Guerreiro de Fallot, como foi chamado pela família, em um belíssimo texto escrito por sua mãe, Marília Campos, um dia antes de seu filho ir descansar nos braços do pai eterno.

Christiano nasceu em 1988, logo nos primeiros segundos, sua mãe já percebeu que o problema era sério. O menino não chorou, tinha a pele azulada, lábios escuros, quando o médico olhou para o pequeno que acabara de chegar ao mundo disse; “Ou esse menino vai ser muito feliz ou vai sofrer muito” , sua mãe garante que apesar da luta constante, ele foi sim, muito feliz.

O garoto nasceu com Tetralogia de Fallot, uma má-formação congênita do coração composta de quatro elementos, por isso a denominação “tetralogia”, e Fallot foi o médico que descreveu esta doença.

Sua mãe conta que desde que o filho saiu do hospital, um mês após nascer, percebeu que ainda havia algo diferente com o menino, foi em vários médicos em Belo Horizonte, mas nenhum conseguia explicar os lábios escuros do garoto, foi aqui em Sabará que encontrou o único médico que lhe deu atenção e diagnóstico correto; “Doutor Sílvio na mesma hora que o examinou, o enviou para o Biocor, foi internado na UTI, onde ficou por algum tempo”.

O tratamento foi iniciado em São Paulo, único lugar que oferecia o tratamento correto, depois de muita luta conseguiu através da Secretaria de Saúde do Município, ir com o garoto para a capital paulista, à época Diógenes Fantini estava no governo, a mãe lembra que o prefeito foi super atencioso. De lá pra cá foram centenas de consultas, diversos hospitais, mais de 20 cateterismos, tudo em prol de uma melhor qualidade de vida para seu filho, mas foram muitas negativas, muitos médicos que disseram não para o menino, afirmando que não havia esperança.

Nos últimos dois anos a luta era para tentar um transplante duplo, coração e pulmão, mas mais uma vez as dificuldades foram muitas, havia muitas barreiras. A cirurgia seria em São Paulo, o Hospital das Clínicas de Belo Horizonte que seria o responsável para encaminhá-lo para a capital paulista, mas o Hospital afirmou que não poderia recebê-lo, pois não havia uma equipe capacitada. Infelizmente, Christiano não conseguiu chegar a São Paulo e não foi possível realizar o transplante, partiu antes.

Mesmo sem haver esperança, desde criança, Christiano seguiu em frente com determinação. Eram várias as limitações, mas ele não reclamava, tomava os remédios diariamente, era muito disciplinado e fazia de tudo para levar uma vida mais tranquila, sempre com o apoio de toda família, que procurava amenizar aquele sofrimento com muito amor, fazendo muitas de suas vontades.

Quando tinha dez anos, em uma consulta com o cardiologista, o médico disse que ele nunca poderia carregar peso, trabalhar com algo que exigisse muito do seu físico. Então, aconselhou a mãe a colocá-lo em aulas de informática e música.

A partir daí, um novo caminho se abriu. Christiano, como já era de costume, se dedicou de corpo e alma às duas novas funções e sempre, claro, com a força da família.

A mãe o colocou na aula de informática no dia seguinte e comprou violino, violão, guitarra e teclado. O menino fez ainda vários cursos técnicos na área de informática e fez Faculdade em Tecnologia da Informação. “Ele era super dedicado. Tudo que pegava pra fazer fazia bem feito e muito estudioso, tudo que fez passou em primeiro lugar”, conta a irmã Karla Campos.

O violino aprendeu a tocar na Sociedade Musical Santa Cecília, da qual fez parte por um tempo. Aprendeu a tocar os outros instrumentos com aulas particulares, até chegar a virar professor de violão. A música virou uma paixão, o rock era o ritmo predileto, tinha vários instrumentos em casa e tocava todos. Participou de algumas bandas e atualmente era o guitarrista da banda Ex Led , que inclusive participou do último Sabará Rock Beer.

Karla diz que o irmão era muito reservado, calado, mas tinha muito bom humor, estava sempre alegre, era cativante e conquistava a todos por onde passava, mas não gostava de dividir suas dificuldades com ninguém.

A mãe conta que ele transmitia muita paz, desde criança era muito tranquilo. “Eu lembro que ele dizia, quando tinha uns seis anos, que quando crescesse queria ser médico para cuidar de seu coração. Até que um dia ele virou e me disse: ‘ Mãe eu não vou ser médico mais. Porque o que eu tenho que ser eu já sou. Eu sou a ponte para você chegar no céu’”, contou Dona Marília emocionada.

A Tetrologia de Fallot fez de Christiano um grande guerreiro, assim como de toda a família. O menino de paz desafiou seu diagnóstico, quando nasceu, a principio sua expectativa de vida era de apenas 72 horas, venceu vários obstáculos e as míseras 72 horas viraram 255.048 (duzentos e cinquenta e cinco mil e quarenta e oito) horas de vida, de aprendizagem, de luta e felicidade.

Para os que ficaram é esse o exemplo que o Guerreiro de Fallot deixou: determinação, paz e alegria para enfrentar os problemas da vida!

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