QUARTA-FEIRA, 17 DE JAN DE 2018
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NOTICIÁRIO - MEIO AMBIENTE
19 DE ABRIL DE 2017
Pai e filho fazem intervenção artística em escultura criada pela natureza

Quem passar pela Avenida Vitor Fantini, próximo à Praça de Esportes, pode se espantar quando olhar para dentro do Rio Sabará e se deparar com um emaranhado de madeiras, galhos, bambus e troncos transformado em obra de arte pelo artista plástico Sérgio Pacheco.

Esculpida pela própria natureza através da correnteza do rio e das fortes chuvas, esses objetos “recolhidos” pela água encontraram parada em uma das pilastras da ponte sobre o rio, se uniram de forma emaranhada e se transformaram em uma bela escultura natural. “Chamo aquilo de escultura abstrata. A natureza me deu de graça aquela beleza. Consigo enxergar beleza em tudo e existe o belo naquela escultura”, diz o artista que tratou de evidenciar a obra com tintas e seu pincel, mostrando que assim, a céu aberto, dentro de um rio pode existir uma galeria de arte.

Sérgio diz que essa ideia de trabalhar com intervenção urbana o acompanha desde a década de 1990. Sua primeira intervenção foi em 1994, quando ele pintou uma palmeira que estava condenada. A árvore estava na Praça Melo Viana. Faltavam poucos dias para o aniversário da cidade e o artista estava prestes a ser pai. A obra foi em homenagem ao garoto que estava chegando, mas também ganhou uma conotação da mistura de raças que construiu Sabará. Pouco tempo após a intervenção, a palmeira foi cortada, como já estava previsto, porém, antes foi vista por milhares de pessoas que passaram pela cidade durante os dias de festa. Outras intervenções também foram feitas, entre elas, um Flaboyant que em 1998 teve que ser completamente podado, restando só o tronco, ganhou vida através de joaninhas e borboletas que foram pintadas em sua estrutura.

Agora, após quase 20 anos da última intervenção, Sérgio colore o emaranhado de entulhos carregado pela enxurrada evidenciando a beleza construída pela natureza. “Batizei a obra de Estação Terminal, porque a parada foi ali, viajaram pelo rio, chegaram ali e pararam. São viajantes da natureza. As águas cataram tudo que estava às margens. Tudo que está à beira do rio é levado com leveza, eu percebo a alegria dos objetos, como eles brincam, dançam e se divertem com esse passeio nas águas”, destaca.

O artista diz que a abstração não pode ser ignorada, que vê arte em tudo. “Podemos ver arte em escombros, em um monte de lixo. Basta procurar que enxergamos”, ressalta.

Essa nova obra é especial já que o artista conta com a ajuda do filho, Caio Ariê, o mesmo que ganhou uma homenagem com a intervenção feita na palmeira, há 23 anos. Caio diz que pela primeira vez faz um trabalho com o pai. O jovem trabalha com o grafite, que também é uma intervenção urbana. Ele diz que ali é um local de interação com a sociedade. “Ali a gente coloca para a população uma mensagem muito significativa. Mesmo aquele que não tem o hábito de absorver a arte é atingido por isso. Dessa forma conseguimos despertar o interesse das pessoas”, diz Caio.

O rapaz destaca ainda que nessa obra você está em contato com a natureza, já que a escultura criada foi formada pela água, a terra e o ar, e os artistas têm contato com todos esses elementos.

Para Sérgio o artista não precisa de uma galeria de arte para mostrar o seu trabalho, ela pode ser exposta na rua, de uma forma menos elitista, mais democrática. “Eu vim provar que a arte é infinita, ela não está só em museus e galerias, está por toda parte e não tem dono”, afirma.

O artista destaca ainda que o emaranhado é a revelação daquilo que nós estamos fazendo com o meio ambiente. “A natureza está regurgitando o que está fazendo mal a ela. A água revelou a estupidez do ser humano com o meio ambiente”, diz.

Pai e filho concluem dizendo que pretendem continuar fazendo intervenções urbanas e ressaltam que em Sabará existem vários pontos que podem ser explorados com a arte.

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