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EDITORIAS - CIÊNCIA E SAÚDE
19 DE ABRIL DE 2017
Síndrome de Down pela visão de uma mãe

No dia 21 de março celebramos o Dia Internacional da Síndrome de Down. A data, 21/03, faz uma alusão aos três cromossomos encontrados no par 21, característico das pessoas portadoras da Síndrome.

O número de cromossomos presente nas células de uma pessoa é 46 (23 do pai e 23 da mãe), no caso da Síndrome de Down há um erro na distribuição e, ao invés de 46, as células recebem 47 cromossomos e este cromossomo a mais se liga ao par 21.

A data tem o objetivo de conscientizar as pessoas sobre a importância da luta pelos direitos igualitários, o seu bem-estar e a inclusão dos portadores de Down na sociedade.

Hoje uma referência para o tratamento e acolhimento de pessoas com a Síndrome de Down, é a Apae que foi criada em 1962. Em Sabará, a instituição existe desde 1984. Atualmente, ela se mantém através de convênios com o Município e o Estado que pagam a maior parte dos funcionários e ainda por meio de subvenções da Prefeitura que são destinadas através de projetos apresentados.

A instituição está vinculada à Escola Sabarense de Atendimento Especial – ESAE - que tem o Ensino Fundamental e o EJA e ainda oferece atendimento clínico com serviços de fisioterapia, psicologia, fonoaudiologia, psiquiatria, terapia ocupacional e também serviço social.

Presente de Deus

Atualmente, a APAE de Sabará atende a 404 usuários, sendo 240 alunos. Entre eles está a doce karolaine Scarlat, que começou a estudar na Apae este ano, cursando o EJA, mas desde crianças utiliza os serviços da clínica médica.

Aos 21 anos Karolaine é uma garota super dinâmica, tem o dia repleto de atividades e tem uma vida social como a de uma jovem de sua idade.

Segundo sua mãe, Marizete Cândida, no início foi muito difícil. “No começou eu assustei bastante, a médica me deu um diagnóstico de uma forma muito cruel. Ela diz que eu tinha uma filha retardada, mongolóide e que eu teria muito trabalho. Durante os três primeiros meses fiquei assustada, sem chão, sem saber para onde ir. Então coloquei a vida dela nas mãos de Deus”, conta.

Karolaine teve um desenvolvimento natural, dentro de suas limitações. Aos cinco anos entrou para a escola comum no regime de inclusão, a princípio foi bem, mas quando chegou o período de alfabetização foi mais complicado, pois, segundo Marizete, a escola não estava preparada para lidar com a situação. E a própria Karolaine explica porque se tornou mais difícil. “No início foi bom, porque eu tinha uma monitora que ficava só comigo, mas depois a monitora teve que ficar com um menino que é cego, fiquei mais sozinha e meio tristinha, foi difícil”, conta. A mãe então resolveu colocá-la em uma escola especial, a Inaplic, em Belo Horizonte, lá o desenvolvimento foi muito melhor.

Só este ano foi para APAE e diz estar muito feliz. “Faço o EJA, gosto muito daqui, fiz novos amigos, gosto muito do ambiente. Os professores são legais com a gente, eles dão algumas matérias difíceis, mas a gente aprende mais. Eles estão bem preparados”, diz Karol.

Mas além dos estudos, a jovem tem uma vida com muitas atividades o que sempre contribuiu com o seu desenvolvimento.

A sua grande paixão é a dança. Faz balé há 12 anos e nesse momento se sente em paz. “É tão bom dançar, eu sinto algo bom, danço de forma tranquila, suave, muito leve”, diz Karol.

Durante a trajetória na dança fez várias apresentações, muitas delas na própria APAE. Além disso, a dança proporcionou uma participação no DVD Evangélico “Diante do Trono da cantora Ana Paula Valadão, da qual é fã.

Além do balé, faz hidroginástica, zumba e ainda modela. Nas passarelas Karolaine desfila pelo Instituto Mano Down que apóia pessoas com Síndrome de Down as fortalecendo. E não é só desfiles, o instituto oferece várias atividades para os meninos que frequentam o local e Karol adora. “Eu já fui à festinhas, em rodízio de pizza e churrasco com a turma do Mano Down e gosto muito”, conta.

Apesar do estudo e tantas atividades, sobra tempo para o amor. Karol já namora há cinco anos, o privilegiado é Luiz Fernando, 19, que Karol conheceu quando estudava na escola Inaplic. Ela diz que sai muito com o namorado, seus programas favoritos são tomar um sorvete, ir ao cinema e ao shopping. Os planos dos jovens é casar e ter uma filha.

Apesar de tudo isso, a mãe de Karol diz que embora tenha havido avanços na sociedade em relação à Síndrome de Down, ainda existe muito preconceito. “Nós temos que ficar preparada para lidar com o preconceito, ainda tem muito. Acho que enquanto Deus não alcançar o coração dessas pessoas haverá preconceito”, diz.

Por isso, Marizete está sempre orientando Karol a não ligar para o que as pessoas falam. “Eu digo, levante a cabeça e siga sua vida. Você é amada por Deus e por sua família, isso que importa”, ressalta.

Em relação à mãe, Karol só tem elogios, diz que ela sempre a ajudou e são muito amigas, assim como as irmãs que também a apóiam em tudo. Outra pessoa importante na vida da jovem é a psicóloga Isabel Carlos, responsável por várias apresentações de Karol em escolas sabarenses.

Para a mãe o mais importante é que ela realize todos seus sonhos e que os objetivos traçados pela filha sejam concluídos. “Não vejo obstáculo, não vejo nada. Amo demais. Estou muito agradecida a Deus por ter me dado ela. A Síndrome Down é nada mais, nada menos que um cromossomo a mais, ao qual dei o nome de cromossomo do amor”, conclui.

CIÊNCIA E SAÚDE
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