SÁBADO, 20 DE OUT DE 2018
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NOTICIÁRIO - ECONOMIA
18 DE JUNHO DE 2015
Petrobrás passa por cima da palavra da presidente Dilma Rousseff e entrega os módulos dos replicante

Se alguém no mercado ainda tem dúvidas que a Petrobrás está ignorando a política de conteúdo nacional, pode tirar o cavalo da chuva. Ela acaba de decidir que quem vai fazer os módulos dos navios replicantes que estavam confiados à IESA são as empresas chinesas Cosco e BJCHI. A decisão já estava tomada há dias, mas há informações de foi costurado um acordo prévio que pode ter envolvido uma flexibilização da ANP e o próprio Ministério das Minas e Energia. Com isso, as esperanças da cidade de Charqueadas, no Rio Grande do Sul, foram por água abaixo. A população da cidade vai mesmo ter que amargar prejuízos milionários causados pela suspensão do contrato entre a Petrobrás e a IESA, que está em recuperação judicial, reivindicando alguns milhões de reais em aditivos não pagos pela estatal.

A Petrobrás rompeu o contrato e abriu uma nova licitação para montagem dos 32 módulos. A estatal ainda tentou uma solução passando o contrato para a Andrade Gutierrez, que acabou desistindo da operação. A empresa chegou a tomar a decisão de levar metade dos módulos para serem feitos na China, o que gerou muitas críticas de fornecedores locais, mas acabou não aceitando as imposições de corresponsabilidade incluídas no contrato.

A dura decisão de entregar para os chineses a construção destes módulos, vai causar um impacto profundo na vida de milhares de pessoas da cidade Charqueadas. Mil empregos diretos já haviam sido cortados. A Petrobrás reconheceu que a sua decisão causou transtornos na cidade, que tem 35 mil habitantes. E chegou a considerar a possibilidade de obrigar a empresa vencedora de uma nova licitação a montar os módulos na mesma área. Mas a realidade se mostrou madrasta da população de Charqueadas. Os módulos vão para China e quem vai comemorar são os chineses.

Com o pedido de recuperação judicial de seu controlador, o Inepar, a solução encontrada pela Petrobrás foi a entrada da Andrade Gutierrez, que assumiu 75% do contrato, recebendo um valor não divulgado para retomar as obras. Quando a IESA Óleo e Gás foi contratada, ela ficaria responsável pela montagem dos módulos de seis FPSOs replicantes. Com a entrada da Andrade Gutierrez, este número subiu para oito replicantes, sendo quatro módulos para cada plataforma. Seriam os seguintes módulos a serem construídos: Pacote 1, com módulos de compressão de CO2; Pacote 4, com Módulos de Compressão de Gás Natural; Pacote 6, com Módulos de Compressão de gás; e Pacote 7, com Módulos de Injeção de Gás.

Procurada, a Petrobrás ainda não se manifestou. Sua assessoria de imprensa informou que estava esperando uma manifestação da diretoria de Exploração e Produção.

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