SEGUNDA-FEIRA, 23 DE NOV DE 2020
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Com fundo falso

Luiz Alves

Meu grande amigo Charles De Gaule, herói francês da 2ª. Guerra Mundial, dizia que a política era coisa séria demais para se deixar com os políticos.

Boa, coleguinha. Com raríssimas exceções, a classe política só tem desmerecido essa prática que deveria ser nobre. E eles adoram quando a pessoa diz que detesta política. É isso mesmo que querem. A gente ignorando, e eles aprontando.

Nos maus tempos da ditadura, havia dois partidos: Arena e MDB. A gente sabia direitinho a ideologia de cada político de acordo com sua filiação partidária. Com o fim da intervenção militar, criaram-se mil partidos, e a coisa endoidou de vez. Não é mais pela coloração partidária que a gente fica sabendo o que anda pela cabeça do político. Está tudo nivelado. E por baixo. Há poucos anos, flagraram membro de certo partido tentando fugir do país com a cueca cheia de grana. Escândalo! Agora, botaram a mão em outro. Os dois pertencem a partidos com ideias totalmente opostas, mas ambos usam largas cuecas e são coleguinhas na feia prática da ladroagem.

Política virou palavrão. Para muitos, ser político é ser safado. Acabam nos convencendo de que um partido é sempre pior que o outro. E o povo anda se lixando para ideologias. Nem sei se isso é sempre bom, mas o eleitor que não se vende tem escolhido pessoas e projetos, ignorando o partido a que o candidato se vincula. Se o achar sério, ele merece atenção. Se o percebe vazio, demagogo, populista, condena-o ao desprezo das urnas. Seu partido? Ora, os partidos...

Quando há anos o mundo padecia com a crise do petróleo, deflagrada pelos países produtores do oriente, um folclórico político mineiro discursou em um comício:

- Gente – berrava o Thibau - nós estamos sofrendo desse jeito é por causa do petróleo. Elejam-me que resolverei isso. Vou conversar com os árabes. Eles têm bom coração. Eles vão entender nosso problema!

Pelo menos com o Thibau a gente dava boas risadas. Ele era engraçado. E por falar em gente engraçada, estou me lembrando de frase do grande Charles Chaplin:

- Continuo sendo apenas uma coisa: um palhaço. E isso me coloca em plano muito superior a qualquer político.

Triste, não? Mais que triste, preocupante. Mas minha preocupação maior vem da ameaça que nos chega de famosa fábrica de roupa íntima masculina. Dizem que a Zorba anunciou que vai lançar moda novíssima: cueca com fundo falso.

A politicalha aguarda com ansiedade.

LUIZ ALVES
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