SEXTA-FEIRA, 22 DE NOV DE 2019
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Hilton Costa

Luiz Alves

Na missa de sétimo dia de falecimento do Hilton Costa, leu-se a passagem em que Jesus condena os que encontram falhas no semelhante, esquecendo-se dos próprios defeitos. O Hilton estaria fora da condenação. Ele preferia falar das virtudes alheias. Fora disso, escolhia calar-se. Marca indelével de sua nobreza de caráter.

Pintor de talento, aprendeu com Seu Juquinha e Dona Tiná o apego às coisas do Alto. Contava-me que há quase 8 anos participava do Terço dos Homens. E que apenas se ausentara em 7 oportunidades. Meticuloso que era, tinha tudo anotado.

Nos últimos dois anos ele me trazia de volta de nossas reuniões de terças-feiras na Matriz. Brincava com meu “motorista”:

- Hilton, no dia em que você não puder vir, mande-me pelo menos o dinheiro do táxi, seu folgado!

Ele se sentia bem ao rezar a prece em que pedimos que a Virgem nos socorra na hora da morte. Ela o socorreu, é claro.

O sacerdote falou das virtudes que confirmavam a retidão de caráter do nosso Hilton. Eu fiquei meditando no que poderia ser escrito na lápide do amigo. Ali, além das datas extremas, alguns escrevem uma frase que sintetizaria a passagem do homenageado por esse piscar de olhos que é a nossa existência diante da eternidade. Pudesse eu redigir algo que resumisse a caminhada do Hilton, rabiscaria na pedra: Foi um homem de bem. E chega! Não há mais o que dizer.

O primeiro requisito para a imortalidade, Hilton, é a morte. E sua presença em nossa lembrança já se tornou morredoura. Lamentamos sua perda, mas com serenidade cristã. Que nossa piedade se ocupe dos que passam em branco pela vida. Não é o seu caso. Você espalhou cores, pintou, com delicadeza rara, coisas e pessoas. Mas, principalmente, da sensível paleta de sua alma, deslizaram coloridos exemplos. Você tornou mais feliz a vida de seus familiares e de todos os que tiveram o privilégio de caminharem com você. Nós vamos nos reencontrar. Afinal, assim que nascemos, todos começamos a morrer. A morte faz parte da vida. Tudo isso já foi dito. São palavras consoladoras que abrandam a dor de sua partida. Cabe-nos aceitar. Aceitemos.

Salve, Maria!

LUIZ ALVES
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