QUARTA-FEIRA, 18 DE SET DE 2019
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Mãos ao alto

Luiz Alves

Diz a Mônica que sua amiga não passava de 1 metro e 49 centímetros de altura. Mas o que lhe faltava em tamanho sobrava em criatividade e ousadia. E isso ficou evidente quando, no lotação, sentou-se ao lado de um marmanjão de 2 metros.

A viagem seguia normal: passagem cara, ônibus lotado, gente suada pisando no calo dos vizinhos, freadas bruscas, tarados se esfregando nas moçoilas incautas... Tudo nos conformes. Aí a pequerrucha cismou de olhar as horas para ver quanto tempo ainda tinha de tormento pela frente.

Susto! Pálida, verificou que o relógio, relíquia preciosa, não estava no pulso. Ah, fora o velhaco do grandalhão ao lado que lhe furtara a joia! Potencializando as já citadas criatividade e ousadia, escondeu a mão debaixo da blusa, esticou o dedo e cutucou o facínora.

- Passe-me o relógio antes que lhe meta uma bala nas costelas!

O “trabuco” escondido debaixo da blusa apequenou o gigante. Pegou o relógio dentro da mochila e jogou-o na bolsa da nossa valente baixinha. No primeiro ponto, saltou e saiu em desabalada carreira.

Orgulhosa da façanha, nossa pequenina guerreira chegou ao destino. Em casa, o maridão via futebol pela TV, xingando o juiz ladrão que não marcara um monte de pênaltis a favor de seu time.

- Uai, faça como eu. Gatunagem comigo não tem vez, cara!

Esperou o intervalo e contou como desbancara um perigoso bandido, vinte vezes seu tamanho, com um simples dedinho.

- Imagine que o vagabundo ia levando aquele relógio que ganhei quando éramos namorados. Mas comigo o buraco é mais embaixo.

O maridão disse peraí e caminhou até a cozinha. Então pegou o relógio que estava sobre a geladeira e o mostrou à mulher.

- Achei estranho encontrá-lo aqui. Você jamais o tira do pulso...

A pequenote arregalou os olhos, abriu a bolsa e berrou:

- Meu Deus, assaltei um pobre infeliz! Este relógio aqui é dele!

O juiz consultou o cronômetro e reiniciou a roubalheira. E o maridão xingando. Nossa equivocada larápia foi dormir, não sem antes dizer ao esposo que os árbitros nem sempre usam de má fé, que tivesse um pouco de paciência, os coitadinhos podem se enganar às vezes...

LUIZ ALVES
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